Há muito, muito tempo, quando os vulcões conversavam entre si e as montanhas tinham sentimentos, existia um grande guardião do deserto chamado Licancabur.

Ele era um vulcão alto, forte e bondoso. Do topo de sua montanha, observava as estrelas, os animais e as pequenas aldeias espalhadas pelo deserto.

Não muito longe dali vivia Quimal, uma bela montanha que brilhava em tons dourados quando o Sol se punha. Todos admiravam sua beleza, mas ninguém a admirava mais do que Licancabur.

Com o passar do tempo, os dois se apaixonaram.

O vento levava mensagens entre eles, e as estrelas iluminavam seus encontros à distância.

Mas havia alguém que também amava Quimal.

Era Juriques, irmão de Licancabur.

Juriques era poderoso, mas também muito orgulhoso. Quando descobriu que Quimal havia escolhido Licancabur, sentiu uma tristeza tão grande que ela se transformou em raiva.

— Eu também a amo! — gritou Juriques.

— Eu sei, irmão — respondeu Licancabur. — Mas o coração dela fez sua escolha.

Juriques não aceitou a resposta.

Conta a lenda que ele desafiou Licancabur para uma grande batalha.

Os dois gigantes se enfrentaram durante dias e noites. O chão tremia sob seus pés. O vento soprava forte. As estrelas observavam em silêncio.

Finalmente, durante o último confronto, Licancabur conseguiu derrotar o irmão.

Em um golpe poderoso, arrancou o topo da cabeça de Juriques.

A enorme parte da montanha caiu pelo deserto, levantando nuvens de poeira que podiam ser vistas a muitos quilômetros de distância.

Por isso, dizem os antigos habitantes do Atacama, o vulcão Juriques tem até hoje um cume achatado, como se lhe faltasse a cabeça.

Quando a batalha terminou, os espíritos das montanhas apareceram.

— Já basta! — disseram eles. — Esta disputa trouxe sofrimento demais ao deserto.

Para que nunca mais houvesse guerra entre os irmãos, os espíritos decidiram separar Quimal dos dois.

Licancabur permaneceu onde está até hoje, olhando para o horizonte. Quimal foi colocada muito longe. E Juriques ficou ao lado do irmão, aprendendo que a força sem sabedoria pode trazer tristeza.

Mas os espíritos também sabiam que Licancabur e Quimal se amavam de verdade.

Por isso deram a eles um presente especial.

Uma vez por ano, quando chega o inverno e o Sol nasce no ponto exato do horizonte, a longa sombra de Licancabur atravessa o deserto e alcança Quimal.

É como se, por alguns instantes, os dois pudessem se reencontrar.

Os povos antigos acreditavam que aquele era o abraço dos amantes separados.

E até hoje, quando a sombra do grande vulcão toca a montanha dourada, muitos moradores do Atacama sorriem e lembram dessa antiga história.

Ao olhar para o horizonte, eles veem não apenas montanhas e vulcões, mas três personagens de uma lenda que atravessou séculos: o valente Licancabur, a bela Quimal e Juriques, o vulcão que perdeu a cabeça por amor. 🌋✨

Dica:

Se você estiver no centro de San Pedro de Atacama, a orientação é aproximadamente esta:

- Licancabur e Juriques ficam ao Leste (SE) da cidade.

- Quimal fica ao oeste-sudoeste (OSO), na direção da Cordilheira de Domeyko.

Ou seja, para ver Quimal você deve praticamente olhar para o lado oposto de Licancabur.

Quando tiver um tempo livre em San Pedro de Atacama, cale a pena visitar a Vila dos Artesãos (Craft Village), pois reúne diversos artesãos locais trabalhando no próprio local, você pode ver como são produzidas peças de cerâmica, trabalhos em pedra vulcânica, cobre, sementes e tecidos andinos, costuma ter preços mais justos do que as lojas da rua principal, normalmente ficamos no hotel Diego de Almaro, a feira fica a 10 minutos caminhando.

Calle Socaire s/n, Tumisa, San Pedro de Atacama, Antofagasta, Chile.

Visite San Pedro de Atacama em nosso roteiro Machu Picchu e Atacama.